Home equity no Brasil: como usar seu imóvel para pegar empréstimo com taxa baixa (e não perder a casa)

Se você tem um imóvel quitado ou com saldo devedor pequeno, existe uma modalidade de empréstimo que oferece taxa muito mais baixa que empréstimo pessoal: o home equity. A taxa costuma estar entre 8% e 15% ao ano, comparado com 30% a 50% de empréstimo pessoal. O valor que você consegue é maior (até 60% do valor do imóvel), e o prazo é mais longo (até 20 anos). Tudo isso soa ótimo, mas existe um detalhe importante: você coloca o imóvel em risco. Se você não pagar, o banco toma a casa.

Este guia vai explicar como home equity funciona, quando faz sentido usar, como comparar bancos, quais são os riscos e como usar home equity de forma inteligente.

O que é home equity e por que a taxa é tão mais baixa

Home equity é um empréstimo em que você usa seu imóvel como garantia. O banco avalia o imóvel, calcula quanto vale, e oferece um empréstimo de até 60% desse valor. Se você não pagar, o banco tem direito de tomar o imóvel e vender para se recuperar.

Por que a taxa é tão mais baixa? Porque o banco tem garantia. Risco zero = taxa baixa. Simples assim.

Comparação:

  • Empréstimo pessoal: sem garantia, taxa alta (30% a 50% ao ano)
  • Home equity: com garantia de imóvel, taxa baixa (8% a 15% ao ano)

A diferença é gigantesca.

Quem pode pedir home equity

Para pedir home equity, você precisa:

  1. Ser proprietário do imóvel. Você precisa estar no registro de propriedade.
  2. Ter imóvel quitado ou com saldo devedor pequeno. Se o imóvel tem financiamento, você pode pedir home equity, mas o valor disponível é reduzido (porque o banco tem prioridade).
  3. Ter renda comprovada. O banco quer saber que você consegue pagar.
  4. Ter bom score de crédito. Quanto melhor o score, melhor a taxa.
  5. Ter imóvel em bom estado. O banco vai avaliar. Se o imóvel está muito deteriorado, pode não conseguir.

Se você se encaixa nesses critérios, pode pedir home equity.

Quanto você consegue pedir

O valor que você consegue é baseado no valor do imóvel. A fórmula típica é:

Valor disponível = (Valor do imóvel × 60%) – Saldo devedor

Exemplo:

  • Imóvel avaliado em R$ 300.000
  • 60% de R$ 300.000 = R$ 180.000
  • Se o imóvel está quitado, você consegue até R$ 180.000
  • Se tem financiamento de R$ 100.000, você consegue até R$ 80.000

O valor máximo varia por banco, mas 60% é comum.

Taxas reais de home equity (comparação entre bancos)

As taxas de home equity variam, mas a faixa é bem mais baixa que empréstimo pessoal:

Bancos Tradicionais:

  • Itaú: CET entre 9% e 14% ao ano
  • Bradesco: CET entre 9% e 14% ao ano
  • Santander: CET entre 8% e 13% ao ano
  • Banco do Brasil: CET entre 7% e 12% ao ano
  • Caixa: CET entre 7% e 12% ao ano

Fintechs:

  • Creditas: CET entre 7% e 11% ao ano (especializada em home equity)
  • Banco Safra: CET entre 8% e 12% ao ano

A diferença entre o banco mais caro e o mais barato pode ser de 3 a 5 pontos percentuais. Vale a pena comparar.

Prazo: quanto tempo você tem para pagar

O prazo de home equity é mais longo que empréstimo pessoal:

  • Mínimo: 12 meses
  • Máximo: 20 anos (240 meses)

Prazo mais longo = parcela menor, mas custo total maior. Prazo mais curto = parcela maior, mas custo total menor.

Exemplo:

  • Empréstimo de R$ 50.000 com CET de 10% ao ano
  • 60 meses: parcela de R$ 1.060, custo total de R$ 63.600
  • 180 meses: parcela de R$ 530, custo total de R$ 95.400

A parcela é menor no prazo longo, mas você paga R$ 31.800 a mais. Escolha o prazo que cabe no seu orçamento, mas não estenda desnecessariamente.

Processo de contratação

O processo é mais longo que empréstimo pessoal, porque envolve avaliação do imóvel:

  1. Escolha o banco. Pesquise e compare taxas.
  2. Faça a simulação. O banco precisa saber o valor do imóvel. Você pode estimar ou pedir avaliação.
  3. Reúna documentação. Você precisa de: RG, CPF, comprovante de renda, comprovante de endereço, documentação do imóvel (matrícula, IPTU, etc.).
  4. Avaliação do imóvel. O banco envia um avaliador para ver o imóvel. Isso leva alguns dias.
  5. Análise. O banco analisa sua renda, seu score e o valor do imóvel.
  6. Aprovação. Se aprovado, você assina contrato e registra no cartório.
  7. Liberação. O dinheiro cai na sua conta.

O processo todo leva de 10 a 30 dias. É mais lento que empréstimo pessoal, mas ainda é razoável.

Custos adicionais de home equity

Além da taxa de juros, existem custos adicionais:

  • Avaliação do imóvel: R$ 300 a R$ 1.000
  • Registro em cartório: R$ 500 a R$ 2.000 (depende do valor)
  • Seguro do imóvel: pode ser obrigatório
  • IOF: imposto sobre operações financeiras (varia)

Esses custos aumentam o custo total. Peça ao banco uma simulação completa, incluindo todos os custos.

Quando home equity faz sentido

Home equity faz sentido para:

  1. Consolidar dívidas caras. Se você tem cartão, cheque especial, parcelamentos caros, pode usar home equity para pagar tudo e ficar com uma parcela só de home equity. Economiza muito em juros.
  2. Reforma ou melhoria do imóvel. Se você quer reformar a casa, home equity é ótimo porque o dinheiro melhora o valor do imóvel.
  3. Investimento que melhora sua renda. Se você quer comprar equipamento para trabalho, fazer curso, ou algo que aumenta sua renda, home equity pode fazer sentido.
  4. Emergência grande. Se você tem uma emergência (saúde, perda de renda) e precisa de dinheiro, home equity é melhor que outras opções caras.

Home equity NÃO faz sentido para:

  1. Consumo impulsivo. Viagem, eletrônicos, roupas. Você coloca a casa em risco por algo que não precisa.
  2. Pagar dívida sem mudar hábito. Se você consolidar dívida e continuar gastando, vai ficar com dívida antiga + dívida nova.
  3. Investimento arriscado. Cripto, ações especulativas, negócios incertos. Você coloca a casa em risco por algo que pode não dar certo.

Riscos de home equity (e como evitar)

Risco 1: perder a casa.
Se você não pagar, o banco toma a casa. Esse é o risco máximo. Para evitar: só pegue home equity se tem certeza que consegue pagar.

Risco 2: prazo longo = custo total alto.
Mesmo com taxa baixa, prazo de 20 anos significa custo total muito alto. Para evitar: escolha prazo realista, não o máximo.

Risco 3: taxa pode aumentar.
Se a taxa for variável (atrelada à Selic), pode aumentar. Para evitar: escolha taxa fixa, se possível.

Risco 4: consolidar dívida e criar dívida nova.
Se você consolida e continua gastando, piora. Para evitar: mude hábitos antes de consolidar.

Risco 5: imóvel desvalorizar.
Se o imóvel cai de valor, você pode ficar devendo mais do que vale. Para evitar: escolha imóvel em bom estado e em bom local.

Home equity vs. empréstimo pessoal vs. consignado

Home equity:

  • Taxa: 8% a 15% ao ano
  • Valor: até 60% do imóvel
  • Prazo: até 20 anos
  • Risco: perde a casa se não pagar
  • Melhor para: consolidar dívidas, reforma, investimento

Empréstimo pessoal:

  • Taxa: 30% a 50% ao ano
  • Valor: até alguns milhares
  • Prazo: até 5 anos
  • Risco: negativação se não pagar
  • Melhor para: emergência pequena, sem imóvel

Consignado (se se encaixa):

  • Taxa: 8% a 15% ao ano
  • Valor: até 35% do salário
  • Prazo: até 7 anos
  • Risco: desconto automático
  • Melhor para: qualquer coisa, se se encaixa

Se você tem imóvel, home equity é quase sempre melhor que empréstimo pessoal. Se você é servidor/aposentado, consignado é melhor que home equity (porque não coloca imóvel em risco).

Conclusão: home equity é poderoso, mas use com cuidado

Home equity é uma ferramenta poderosa para quem tem imóvel. A taxa é muito mais baixa que empréstimo pessoal, o valor é maior e o prazo é mais longo. Mas o risco é alto: você coloca a casa em jogo.

Use home equity para algo que realmente melhora sua vida: consolidar dívidas caras, reformar a casa, investir em educação ou negócio. Não use para consumo impulsivo ou investimento arriscado.

Se você vai usar home equity, compare bancos, escolha prazo realista, e tenha certeza que consegue pagar. A casa é seu bem mais importante. Não coloque em risco por algo que não precisa.