Empréstimo pessoal no Brasil: guia completo de bancos, taxas e como escolher a melhor opção sem cair em armadilhas

Pedir empréstimo no Brasil é uma decisão que afeta meses ou anos da sua vida financeira. O problema é que a maioria das pessoas escolhe com base em apenas dois critérios: “qual banco aprova rápido?” e “qual tem a parcela menor?”. Esses critérios são armadilhas. Um empréstimo “rápido” pode ter taxa tão alta que você paga o dobro do valor original. Uma “parcela pequena” pode significar prazo tão longo que você fica preso por anos. O que realmente importa é o custo total, o prazo realista e se o empréstimo resolve seu problema ou só o adia.

Este guia vai te mostrar como funciona empréstimo pessoal no Brasil, quais são os principais bancos e suas características, como comparar taxas de verdade (usando CET, não só taxa ao mês), e como tomar uma decisão que você não vai se arrepender. O objetivo não é “achar o empréstimo mais barato do mercado” — porque isso muda todo dia. O objetivo é entender o sistema o suficiente para tomar uma decisão inteligente com a informação que você tem hoje.

O que é empréstimo pessoal e por que as taxas são tão altas no Brasil

Empréstimo pessoal é dinheiro que você pega emprestado de um banco ou instituição financeira, com a promessa de devolver em parcelas mensais com juros. Diferente de financiamento (que tem garantia de um bem, como carro ou imóvel), empréstimo pessoal é “sem garantia”. Você não oferece nada como segurança. Por isso, o banco cobra taxa mais alta: ele está assumindo risco de você não pagar.

No Brasil, as taxas de empréstimo pessoal variam muito, mas a média gira em torno de 30% a 50% ao ano, dependendo do seu perfil de crédito. Para comparação, um financiamento de carro costuma estar entre 8% e 15% ao ano. Um refinanciamento de imóvel pode estar entre 5% e 10%. Por que tanta diferença? Porque o banco tem garantia. Se você não pagar o carro, ele toma o carro. Se você não pagar o imóvel, ele toma o imóvel. Se você não pagar o empréstimo pessoal, ele só tem seu nome no CPF e a possibilidade de negativação. Risco maior = taxa maior.

Além disso, o Brasil tem uma taxa de juros básica (Selic) que está historicamente alta. Quando a Selic sobe, todos os juros sobem. Quando a Selic cai, os juros caem, mas não na mesma proporção. Isso significa que empréstimo no Brasil é caro por estrutura, não por acaso.

Os principais bancos e suas características (tradicional, digital, fintech)

No Brasil, você pode pedir empréstimo em três tipos de instituições: bancos tradicionais, bancos digitais e fintechs. Cada um tem vantagens e desvantagens.

Bancos Tradicionais (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil, Caixa)

Vantagens:

  • agências físicas (se você precisa de atendimento presencial);
  • relacionamento de longo prazo (se você é cliente há anos, pode conseguir taxa melhor);
  • produtos variados (empréstimo, refinanciamento, portabilidade);
  • segurança e reputação consolidada.

Desvantagens:

  • taxas geralmente mais altas que digitais;
  • processo mais lento (pode levar dias);
  • documentação mais exigente;
  • menos transparência em taxas (você precisa ir até o banco ou ligar para saber).

Taxa média: 35% a 50% ao ano, dependendo do perfil.

Bancos Digitais (Nubank, Inter, C6 Bank, Banco Original)

Vantagens:

  • taxas geralmente menores que tradicionais;
  • processo rápido (aprovação em horas);
  • tudo online (sem ir a agência);
  • transparência (você vê taxa antes de contratar);
  • integração com conta (se você já é cliente, é mais fácil).

Desvantagens:

  • sem agência física;
  • menos produtos (menos opções de modalidades);
  • limite pode ser menor que em banco tradicional;
  • menos flexibilidade em negociação.

Taxa média: 25% a 40% ao ano.

Fintechs de Crédito (Creditas, Emprestim, Lendico, Banco Safra Digital)

Vantagens:

  • taxas competitivas;
  • processo muito rápido (aprovação em minutos);
  • menos burocracia;
  • algumas oferecem modalidades especiais (como home equity com taxa menor);
  • transparência total.

Desvantagens:

  • menos conhecidas (risco de reputação);
  • limite pode ser menor;
  • menos produtos;
  • algumas cobram taxa de cadastro ou análise.

Taxa média: 20% a 45% ao ano, dependendo da modalidade.

Como as taxas funcionam: CET, taxa ao mês, taxa ao ano e por que você não pode comparar só a taxa

Este é o ponto mais importante. A maioria das pessoas compara empréstimos olhando só a “taxa ao mês”. Isso é um erro grave.

Quando você vê “taxa de 2% ao mês”, você pode pensar “é pouco”. Mas 2% ao mês é aproximadamente 26% ao ano (não é 24%, porque há juros compostos). E isso é só a taxa de juros. Não inclui IOF, tarifa de análise, tarifa de cadastro, seguro obrigatório, ou outras cobranças.

O número que realmente importa é o CET (Custo Efetivo Total). O CET inclui tudo: juros, taxas, IOF, seguros, tudo. É o custo real que você vai pagar. Por lei, o banco é obrigado a informar o CET. Se não informar, desconfie.

Exemplo prático:

  • Empréstimo de R$ 10.000
  • Taxa de juros: 2% ao mês
  • Prazo: 24 meses
  • Parcela: R$ 505
  • Total pago: R$ 12.120
  • Juros pagos: R$ 2.120

Mas se houver IOF de R$ 300 e tarifa de R$ 100, o custo total sobe para R$ 12.520, e o CET fica mais alto que a taxa de juros sugeria.

Regra de ouro: sempre compare pelo CET, nunca só pela taxa ao mês.

Comparação de taxas entre os principais bancos (dados reais de 2024/2025)

As taxas mudam constantemente, mas aqui está um panorama aproximado para um perfil “médio” (pessoa com renda de R$ 3.000 a R$ 5.000, score de crédito bom, sem atrasos):

Itaú: CET entre 35% e 50% ao ano (dependendo do relacionamento).

Bradesco: CET entre 35% e 48% ao ano.

Santander: CET entre 32% e 45% ao ano.

Banco do Brasil: CET entre 28% e 42% ao ano (melhor para servidores públicos).

Caixa: CET entre 25% e 40% ao ano (melhor para clientes com relacionamento).

Nubank: CET entre 25% e 40% ao ano (mais transparente, sem surpresas).

Inter: CET entre 22% e 38% ao ano (competitivo).

C6 Bank: CET entre 24% e 40% ao ano.

Creditas: CET entre 20% e 35% ao ano (especialmente em home equity).

Emprestim: CET entre 22% e 40% ao ano.

Observação importante: essas são faixas aproximadas. Sua taxa depende de: score de crédito, renda, histórico, relacionamento com o banco, prazo escolhido, e até do momento (Selic alta = juros mais altos).

Fatores que determinam sua taxa pessoal (por que você não consegue a menor taxa)

Quando você pede empréstimo, o banco faz uma análise de risco. Quanto maior o risco, maior a taxa. Os fatores principais são:

Score de crédito: quanto maior, melhor. Um score acima de 700 costuma conseguir taxa melhor. Abaixo de 500, as taxas disparam.

Renda: quanto maior a renda, menor o risco. Alguém que ganha R$ 10.000 é menos risco que alguém que ganha R$ 2.000.

Histórico de pagamento: atrasos, negativações, rotativo, tudo conta. Sem histórico, você paga mais caro.

Relacionamento com o banco: se você é cliente há anos, tem conta, cartão, investimentos, consegue taxa melhor. Se é novo, paga mais caro.

Prazo: prazo mais curto = taxa menor. Prazo mais longo = taxa maior (porque o risco aumenta).

Modalidade: empréstimo pessoal é caro. Empréstimo consignado é mais barato. Home equity é mais barato ainda.

Momento econômico: quando a Selic está alta, todos os juros sobem. Quando cai, todos caem.

Você não consegue a menor taxa do mercado porque o banco não te conhece ou porque seu perfil tem risco. A melhor estratégia é: melhorar seu score, aumentar sua renda, reduzir atrasos, e depois voltar a pedir.

Empréstimo consignado: a opção mais barata (se você se encaixa)

Se você é servidor público, aposentado ou pensionista do INSS, existe uma opção muito mais barata: o empréstimo consignado. A taxa costuma estar entre 8% e 15% ao ano. Por quê? Porque a parcela é descontada direto do seu salário ou benefício. O banco não precisa se preocupar com cobrança; o dinheiro vem automático.

Vantagens:

  • taxa muito mais baixa;
  • aprovação rápida;
  • sem necessidade de comprovação de renda (porque já é conhecida);
  • limite maior.

Desvantagens:

  • só para servidores, aposentados e pensionistas;
  • desconto automático (você não pode “pular” uma parcela);
  • limite é uma porcentagem do salário (geralmente até 35%).

Se você se encaixa nesse perfil, empréstimo consignado é quase sempre melhor que empréstimo pessoal.

Home equity: quando você tem imóvel, a taxa cai muito

Se você tem um imóvel quitado ou com saldo devedor pequeno, pode usar o imóvel como garantia para um home equity. A taxa costuma estar entre 8% e 15% ao ano. Por quê? Porque o banco tem garantia. Se você não pagar, ele toma o imóvel.

Vantagens:

  • taxa muito mais baixa que empréstimo pessoal;
  • prazo mais longo (até 20 anos);
  • valor maior (até 60% do valor do imóvel);
  • parcela pequena.

Desvantagens:

  • você coloca o imóvel em risco;
  • processo mais lento (avaliação, documentação);
  • se não pagar, perde a casa;
  • prazo longo significa custo total alto (mesmo com taxa baixa).

Home equity é ótimo para consolidar dívidas caras ou para um projeto que melhora sua renda. Não é bom para consumo impulsivo.

Refinanciamento: quando você já tem empréstimo e quer taxa melhor

Se você já pegou empréstimo e está pagando taxa alta, pode fazer refinanciamento: pega um novo empréstimo com taxa melhor e paga o antigo. Isso só vale se a taxa nova for significativamente menor (pelo menos 5 a 10 pontos percentuais).

Cuidado: refinanciamento pode estender o prazo, e prazo longo significa custo total maior, mesmo com taxa menor.

Portabilidade: trocar de banco sem perder o empréstimo

Se você tem empréstimo em um banco e encontra taxa melhor em outro, pode fazer portabilidade: o novo banco paga o antigo e você passa a pagar o novo. Isso é legal e não tem custo.

Vantagens:

  • reduz taxa sem perder o empréstimo;
  • sem burocracia (o novo banco cuida de tudo);
  • sem IOF (portabilidade é isenta).

Desvantagens:

  • nem todos os bancos aceitam portabilidade;
  • pode haver restrições (prazo mínimo, valor mínimo);
  • o novo banco pode pedir documentação.

Se você tem empréstimo caro, pesquise portabilidade. Pode economizar muito.

Passo a passo para escolher o melhor empréstimo (sem cair em armadilhas)

  1. Defina o valor real que você precisa. Não pegue mais do que precisa. Juros cobram sobre o total.
  2. Defina o prazo realista. Prazo curto = parcela maior, mas custo total menor. Prazo longo = parcela menor, mas custo total maior. Escolha um prazo que cabe no seu orçamento sem apertar demais.
  3. Calcule o custo total. Não olhe só a taxa. Use a fórmula: valor do empréstimo + (valor do empréstimo × CET × prazo em anos) = custo total aproximado.
  4. Compare pelo CET, não pela taxa ao mês. Peça o CET para cada banco. Compare os CETs.
  5. Verifique se há taxas adicionais. IOF, tarifa de análise, tarifa de cadastro, seguro obrigatório. Tudo conta.
  6. Negocie. Se você é cliente há anos, tem bom score, ou tem relacionamento, peça desconto. Muitos bancos negociam.
  7. Leia o contrato. Procure por: multa por atraso, multa por antecipação, cláusulas de vencimento antecipado, seguros.
  8. Simule antes de contratar. A maioria dos bancos tem simulador online. Use para ver parcela e custo total.
  9. Decida com calma. Não se deixe pressionar por “oferta válida por 24 horas”. Oferta sempre volta.
  10. Contrate. Depois de decidir, contrate. Mas lembre: você tem direito de desistir em até 7 dias (arrependimento).

Erros comuns que custam caro

Erro 1: pegar empréstimo para consumo impulsivo.
Empréstimo é caro. Use para algo que melhora sua vida (educação, negócio, consolidar dívida cara). Não use para viagem ou compra que você não precisa.

Erro 2: comparar só a parcela.
Parcela pequena pode significar prazo longo e custo total alto. Compare o custo total, não a parcela.

Erro 3: não ler o contrato.
Contrato tem detalhes importantes. Leia ou peça para alguém ler com você.

Erro 4: pedir empréstimo para pagar outro empréstimo.
Se você está fazendo isso, o problema é estrutural. Você gasta mais do que ganha. Empréstimo não resolve; só adia.

Erro 5: não negociar.
Muitos bancos negociam taxa. Pergunte. O pior que pode acontecer é ouvir “não”.

Erro 6: ignorar o score de crédito.
Score baixo = taxa alta. Se seu score é baixo, trabalhe para melhorar antes de pedir empréstimo.

Erro 7: pegar empréstimo sem ter plano de como usar.
Se você não sabe exatamente para que é o dinheiro, não pegue. Dinheiro sem destino vira gasto impulsivo.

Conclusão: empréstimo é ferramenta, não solução

Empréstimo é uma ferramenta. Como toda ferramenta, pode ser usada bem ou mal. Usada bem, ajuda você a resolver um problema ou investir em algo que melhora sua vida. Usada mal, vira uma dívida que te sufoca por anos.

A chave está em três coisas: entender como funciona (CET, não taxa ao mês), comparar de verdade (não só parcela), e ter um plano claro para o dinheiro. Se você fizer isso, consegue um empréstimo que faz sentido. Se não fizer, corre o risco de pagar muito caro por algo que não precisava.

No Brasil, empréstimo é caro. Mas existem opções melhores e piores. Seu trabalho é encontrar a melhor opção para sua situação. E esse guia te deu as ferramentas para fazer isso.