Empréstimo consignado no Brasil: como funciona, quem pode pedir, taxas reais e por que é tão mais barato que empréstimo pessoal

Se você é servidor público, aposentado ou pensionista do INSS, existe uma modalidade de empréstimo que é significativamente mais barata que empréstimo pessoal: o empréstimo consignado. Enquanto empréstimo pessoal custa entre 30% e 50% ao ano, empréstimo consignado custa entre 8% e 15% ao ano. A diferença é gigantesca. Uma pessoa que pega R$ 10.000 em empréstimo pessoal pode pagar R$ 15.000 a R$ 20.000 de juros. A mesma pessoa, pegando consignado, paga R$ 800 a R$ 1.500 de juros. Essa diferença pode significar anos de vida financeira mais tranquila.

O problema é que muita gente não entende como consignado funciona, tem medo de “descontar do salário”, ou não sabe que pode pedir. Este guia vai explicar tudo: como funciona, quem pode pedir, como comparar bancos, quais são as armadilhas e como usar consignado de forma inteligente.

O que é empréstimo consignado e por que a taxa é tão mais baixa

Empréstimo consignado é um empréstimo em que a parcela é descontada automaticamente do seu salário, benefício ou aposentadoria. Você não precisa ir ao banco pagar. O dinheiro sai direto da fonte.

Por que a taxa é tão mais baixa? Porque o banco não corre risco. Se você não pagar, o banco não precisa cobrar, processar, negativar ou ir atrás. O dinheiro vem automático. Risco zero = taxa baixa.

Comparação:

  • Empréstimo pessoal: banco assume risco de você não pagar, então cobra taxa alta.
  • Empréstimo consignado: banco não assume risco (desconto automático), então cobra taxa baixa.

É simples assim.

Quem pode pedir empréstimo consignado

Existem três grupos principais:

1) Servidores públicos federais, estaduais e municipais
Qualquer servidor público (professor, policial, administrativo, etc.) pode pedir. O desconto sai do salário.

2) Aposentados e pensionistas do INSS
Qualquer pessoa que recebe aposentadoria ou pensão do INSS pode pedir. O desconto sai do benefício.

3) Militares
Militares da ativa e inativos podem pedir. O desconto sai da folha.

Se você se encaixa em um desses grupos, você pode pedir consignado. Se não se encaixa, você não consegue.

Taxas reais de empréstimo consignado (comparação entre bancos)

As taxas de consignado variam, mas a faixa é bem mais estreita que empréstimo pessoal. Aqui está um panorama aproximado:

Bancos Tradicionais:

  • Itaú: CET entre 10% e 14% ao ano
  • Bradesco: CET entre 10% e 14% ao ano
  • Santander: CET entre 9% e 13% ao ano
  • Banco do Brasil: CET entre 8% e 12% ao ano (melhor para servidores federais)
  • Caixa: CET entre 8% e 12% ao ano (melhor para INSS)

Bancos Digitais:

  • Nubank: CET entre 10% e 14% ao ano
  • Inter: CET entre 9% e 13% ao ano

Fintechs:

  • Creditas: CET entre 8% e 12% ao ano
  • Emprestim: CET entre 9% e 13% ao ano

A diferença entre o banco mais caro e o mais barato pode ser de 4 a 6 pontos percentuais. Em um empréstimo de R$ 10.000, isso pode significar R$ 400 a R$ 600 de diferença no custo total. Vale a pena comparar.

Limite de consignado: quanto você pode pedir

O limite de consignado é uma porcentagem do seu salário ou benefício. A regra é:

  • Limite máximo: 35% do salário/benefício (essa é a regra geral)
  • Limite para INSS: 35% do benefício, mas com restrições (máximo R$ 2.000 por mês de parcela)
  • Limite para servidores: 35% do salário

Exemplo: se você ganha R$ 3.000 de salário, pode pedir até R$ 1.050 de parcela mensal. Se pedir empréstimo de R$ 20.000 em 24 meses, a parcela seria R$ 833, que cabe no limite.

Importante: o limite de 35% é para todas as consignações juntas. Se você já tem um consignado de R$ 500, só pode pedir mais R$ 550 (se ganha R$ 3.000).

Prazo: quanto tempo você tem para pagar

O prazo de consignado varia, mas a faixa típica é:

  • Mínimo: 12 meses
  • Máximo: 72 meses (6 anos) para servidores; 84 meses (7 anos) para INSS

Prazo mais longo = parcela menor, mas custo total maior. Prazo mais curto = parcela maior, mas custo total menor.

Exemplo:

  • Empréstimo de R$ 10.000 com CET de 10% ao ano
  • 24 meses: parcela de R$ 440, custo total de R$ 10.560
  • 60 meses: parcela de R$ 210, custo total de R$ 12.600

A parcela é menor no prazo longo, mas você paga R$ 2.040 a mais. Escolha o prazo que cabe no seu orçamento, mas não estenda desnecessariamente.

Como funciona o processo de contratação

O processo é simples e rápido:

  1. Escolha o banco. Você pode pedir em qualquer banco que oferece consignado. Não precisa ser seu banco atual.
  2. Faça a simulação. A maioria dos bancos tem simulador online. Você coloca valor, prazo e vê a parcela e o CET.
  3. Reúna documentação. Você precisa de: RG, CPF, comprovante de renda (contracheque ou extrato do INSS), comprovante de endereço.
  4. Contrate. Você pode contratar online ou presencialmente. O banco faz a análise (geralmente rápido, porque o risco é baixo).
  5. Aprovação. Se aprovado, o dinheiro cai na sua conta em 1 a 3 dias úteis.
  6. Desconto começa. A primeira parcela é descontada no próximo salário/benefício.

O processo todo leva de 1 a 5 dias. É muito mais rápido que empréstimo pessoal.

Armadilhas e cuidados com consignado

Armadilha 1: pedir demais e ficar sem margem.
Se você pede consignado até o limite (35%), fica sem margem para emergências. Melhor pedir menos e deixar espaço.

Armadilha 2: pedir consignado para pagar outro consignado.
Se você está fazendo isso, o problema é estrutural. Você gasta mais do que ganha. Consignado não resolve; só adia.

Armadilha 3: não comparar bancos.
A diferença de taxa entre bancos pode ser de 4 a 6 pontos percentuais. Vale muito a pena comparar.

Armadilha 4: não ler o contrato.
Contrato tem detalhes. Leia ou peça para alguém ler com você.

Armadilha 5: pedir consignado para consumo impulsivo.
Consignado é barato, mas ainda é empréstimo. Use para algo que melhora sua vida, não para compra que você não precisa.

Armadilha 6: esquecer que o desconto é automático.
Se você perde o emprego ou se aposenta, o desconto continua. Você precisa estar preparado para isso.

Consignado vs. empréstimo pessoal: quando usar cada um

Use consignado se:

  • você é servidor, aposentado ou pensionista;
  • precisa de taxa baixa;
  • quer processo rápido;
  • pode deixar o desconto automático.

Use empréstimo pessoal se:

  • você não se encaixa em consignado;
  • precisa de valor muito alto (acima do limite de consignado);
  • quer flexibilidade de pagamento.

Se você se encaixa em consignado, sempre escolha consignado. A economia é enorme.

Portabilidade de consignado: trocar de banco sem perder o empréstimo

Se você tem consignado em um banco e encontra taxa melhor em outro, pode fazer portabilidade. O novo banco paga o antigo e você passa a pagar o novo.

Vantagens:

  • reduz taxa sem perder o empréstimo;
  • sem burocracia;
  • sem IOF.

Desvantagens:

  • nem todos os bancos aceitam;
  • pode haver restrições.

Se você tem consignado caro, pesquise portabilidade. Pode economizar muito.

Antecipação de parcelas: quando vale a pena

Se você recebe um dinheiro extra (bônus, restituição, herança), pode antecipar parcelas de consignado. Isso reduz o custo total de juros.

Exemplo:

  • Empréstimo de R$ 10.000 com 24 parcelas de R$ 440
  • Se você antecipar 6 parcelas, economiza juros daquelas 6 parcelas

Vale a pena antecipar se você tem dinheiro extra e não precisa dele para emergência.

Consignado para consolidar dívidas: quando faz sentido

Se você tem várias dívidas caras (cartão, cheque especial, parcelamentos), pode usar consignado para consolidar. Você pega um consignado, paga todas as dívidas caras e fica com uma parcela só de consignado.

Exemplo:

  • Cartão com R$ 5.000 a 15% ao mês (muito caro)
  • Cheque especial com R$ 3.000 a 30% ao mês (muito caro)
  • Parcelamento com R$ 2.000 a 5% ao mês
  • Total: R$ 10.000 em dívidas caras

Você pega consignado de R$ 10.000 a 10% ao ano, paga tudo e fica com uma parcela só. Economiza muito em juros.

Mas cuidado: consolidação só funciona se você parar de usar cartão e cheque especial depois. Se você consolidar e continuar gastando, vai ficar com dívida antiga + dívida nova.

Consignado para investimento: quando não é recomendado

Algumas pessoas pegam consignado para investir. A lógica é: “consignado custa 10%, investimento rende 12%, ganho 2%”. Teoricamente faz sentido. Na prática, é arriscado.

Por quê? Porque investimento não é garantido. Se você pega empréstimo a 10% e investe em algo que rende 5%, você perde dinheiro. Além disso, você fica com obrigação de pagar a parcela, mesmo que o investimento caia.

Melhor estratégia: pague suas dívidas caras primeiro, depois invista com dinheiro que é realmente seu.

Conclusão: consignado é a melhor opção para quem se encaixa

Se você é servidor, aposentado ou pensionista, empréstimo consignado é quase sempre melhor que empréstimo pessoal. A taxa é muito mais baixa, o processo é rápido e o desconto automático reduz risco de atraso.

O segredo está em: comparar bancos, não pedir demais, usar para algo que melhora sua vida, e não confundir “taxa baixa” com “pode gastar à vontade”. Consignado é ferramenta poderosa, mas ainda é empréstimo. Use com sabedoria.

Se você tem consignado caro, pesquise portabilidade. Se você tem dívidas caras, considere consolidação. Se você tem dinheiro extra, considere antecipação. Essas estratégias podem economizar muito dinheiro ao longo do tempo.